sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O QUE SHERLOCK HOLMES TEM EM COMUM COM OS CIENTISTAS QUE ESTUDAM O PASSADO


  Em 1940, quando meninos franceses brincavam na região de Lascaux, no Sudeste da França, encontraram um buraco no chão. Ao entrar nele, depararam-se com longos e estritos corredores de pedra, que davam acesso a uma caverna. Lá dentro, fizeram uma descoberta surpreendente: o teto e as paredes estão recobertos por desenhos que pareciam estar ali havia muito tempo.

  Os meninos comunicaram a descoberta a seu professor. Ele, por sua vez, avisou especialistas, que descobriram se tratar de desenhos realmente muito antigos.

                                               
DETETIVES, ARQUEÓLOGOS E HISTORIADORES

  Os especialistas que estudam o passado, são os arqueólogos e os historiadores.  Para descobrir como viviam os grupos humanos de outras épocas, esses estudiosos pesquisam pistas. Selecionam o que consideram importante, levantam hipóteses e chegam a uma conclusão. No caso da caverna de Lascaux, os arqueólogos concluíram que as pinturas em seu interior foram feitas entre 11 e 15 mil anos atrás por grupos que habitaram aquela região.  

                                     DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS ENTRE O TRABALHO
                                                    DE DETETIVES, ARQUEÓLOGOS E HISTORIADORES

DETETIVES:   São especialistas em desvendar mistérios - atos indesejáveis, muitas vezes criminosos, provocados por autores não identificados. Procuram descobrir o que está oculto por meio das diversas pistas encontradas. 
  Na vida real, existem detetives muito competentes. Mas os melhores e mais famosos são os que foram criados pelos escritores de romances policiais. Por isso, a figura símbolo do detetive é Sherlock Holmes.

ARQUEÓLOGOS:  São cientistas que estudam o passado das sociedades a partir de vestígios materiais produzidos por elas: pinturas em rochas, restos de fogueiras, construções ou qualquer outro objeto (facas, lanças, peças de cerâmica, etc.).

HISTORIADORES:  Assim como os arqueólogos, os historiadores estudam o passado das sociedades. Mas, ao contrário de seus colegas, eles se valem principalmente de documentos escritos, embora também utilizem outros tipos de fontes (como construções, desenhos, utensílios, relatos orais, etc.). Os historiadores que estudam os últimos dois séculos podem utilizar ainda fotografias, gravações em áudio (som) e vídeo (imagem), CD-ROMs, etc.

                                         A CONTAGEM DO TEMPO

  Para facilitar seus estudos, os pesquisadores costumam organizar o tempo em períodos: ano (que equivale a 365 dias), século (que equivale a 100 anos), milênio (que equivale a 1000 anos), etc. Tradicionalmente, os séculos são representados por algarismos romanos.
  Além dos períodos, os estudiosos também costumam utilizar marcos históricos para organizar o tempo. No Ocidente, região do planeta em que vivemos, o nascimento de Cristo é considerado um marco muito importante. Por isso, costumamos dividir o tempo em antes de Cristo (a.C.) e depois de Cristo (d.C.). A contagem do período antes de Cristo é decrescente; a contagem do período depois de Cristo é crescente.

                                        OS ARQUEÓLOGOS: DESCOBRINDO E LENDO
                                                   OS VESTÍGIOS DO PASSADO 

  A Arqueologia é a ciência que estuda o passado da humanidade por meio dos vestígios materiais deixados pelos povos que habitaram (ou habitam) a Terra. A esses vestígios damos o nome de achados arqueológicos ou artefatos.
  A maior parte desses materiais encontra-se no subsolo, coberto por camadas de poeira e outros sedimentos que foram se depositando sobre eles ao longo do tempo. Outros estão em paredes de cavernas ou sob rios, lagos e mares.
  O trabalho do arqueólogo divide-se em duas etapas: a pesquisa de campo e a análise de material coletado.

                                            A PESQUISA DE CAMPO

  O arqueólogo começa o seu trabalho procurando áreas onde possam existir vestígios materiais de povos antigos. Os locais que concentram materiais de pesquisa são chamados de sítios arqueológicos.
  Para encontrar esses sítios, o pesquisador se baseia em informações já conhecidas sobre a existência de povos do passado.
Fóssil de um mamute
  Normalmente, os arqueólogos trabalham em sítios menores, procurando habitações, pinturas, fósseis humanos, instrumentos de trabalho, armas, enfeites, moedas.
FÓSSEIS: Restos ou vestígios de plantas, animais ou outros seres vivos que se conservaram enterrados no solo. Podem ser ossadas inteiras, um dente ou fragmento de um osso, assim como a pegada de um homem. Esses restos são soterrados em um ambiente com pouco oxigênio, o que impede que eles se decomponham.
  Na maior parte das escavações, os arqueólogos utilizam pequenas pás, enxadas e picaretas, mas ás vezes precisam trabalhar com máquinas escavadoras de grande porte. Toda escavação deve ser feita com extremo cuidado, para não danificar os vestígios. Cada peça encontrada é limpa com pincéis, fotografia e/ou desenhada num diário de campo ou computador portátil. Sua localização exata é registrada em mapas ou desenhos. Nessa etapa, o arqueólogo desenvolve um trabalho muito semelhante ao do detetive. Nenhuma pista pode ser destruída, pois todas elas ajudam a conhecer os modos de vida dos povos pesquisados.

                                         A ANÁLISE DO MATERIAL COLETADO

  O material obtido na pesquisa de campo deve ser removido do sítio arqueológico com muito cuidado e transportado para laboratórios e centro de estudo especializados, a fim de ser analisado. Essa análise é feita em duas etapas: primeiro, os arqueólogos investigam a cidade do artefato; depois, o relacionam com informações já conhecidas, referentes a mesma época e região. Para tanto eles precisam se apoiar em conhecimentos fornecidos pela história, pela geografia, pela biografia, entre outras disciplinas. Por isso, dizemos que o trabalho do arqueólogo é interdisciplinar.
  Os estudos arqueológicos são constantemente atualizados. Os cientistas não param de pesquisar, e novas descobertas são feitas continuamente. Quando novos vestígios são encontrados, novas interpretações podem ser feitas por temas estudados anteriormente. Também é possível que dois arqueólogos interpretem de maneiras diferentes os mesmos vestígios.
  Um achado arqueológico só tem utilidade quando os estudiosos podem estuda-lo e estabelecer relações com outros artefatos produzidos na mesma época. Isolado, o vestígio não contribui para o conhecimento sobre a sociedade que o produziu.

Como determinar a idade de um artefato

  Existem várias formas de se determinar a idade de um artefato. A mais conhecida é a da datação pelo método de carbono 14.
  Todos as seres vivos (plantas e animais, inclusive os homens) absorvem, em vida, um elemento chamado carbono 14 que resta em um achado arqueológico (ossos, conchas, madeiras, pinturas feitas com tintas derivadas de plantas, etc.), podemos calcular sua idade: quando menor a quantidade desse elemento, mais antigo é artefato.

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